terça-feira, 2 de junho de 2009

Portugal Pioneiro

Talvez os nossos leitores não saibam, mas Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte. Este acontecimento ocorreu no dia 1 de Julho de 1867, como nos relata o seguinte artigo:
" As Câmaras aprovaram, por 90 votos contra 2, a abolição da pena de morte, proposta pelo ministro da Justiça, Augusto César Barjona de Freitas. Esta medida não é ainda extensiva às províncias ultramarinas. No continente, em 1852, o artigo 16 do Acto Adicional à Carta Constitucional já tinha abolido a pena de morte para crimes políticos.
A medida agora decretada, de alto sentido humanitário, honra o país, por ter sido pioneiro em proibir a pena capital."

Fomos pelo facto congratulados, por muitos intelectuais e homens da cultura de então, nomeadamente Victor Hugo. Segue-se um excerto da sua carta de felicitações:
« Está pois, a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história! (...) Abolir a morte legal deixando à morte divina todo o seu mistério é um progresso augusto entre todos. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá exemplo à Europa. Desfruta de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal.»

Vitor Hugo


Para mais informação clica AQUI.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O 28 de Maio de 1926

Passam este ano 83 anos, sobre o golpe de Estado que pôs fim à Iª República e deu início em Portugal, a uma Ditadura que vigorou até 1974.

O movimento que se iniciou em Braga e foi liderado pelo general Gomes da Costa, pretendeu responder a um mal-estar colectivo, de um país que estava em crise e um regime em agonia:

"A República não teve, nem tempo nem engenho, para reconverter o país profundo.
Apoiou-se na pequena burguesia urbana e em elites intelectuais, mas não atingiu nem o país rural e católico nem grandes franjas das massas operárias.
A instabilidade política, os jogos partidários, o clima de revolução permanente, os conflitos no parlamento, as greves constantes, a paralisia da administração, que não permitia a melhoria de vida das populações, afastaram o país real do sistema. O que se passa em Lisboa pouco interessava à província, que não se envolvia em malabarismos políticos mas exigia progresso e ordem. A Igreja e o Exército eram ainda as únicas instituições que representavam a disciplina e os valores tradicionais.
No plano económico, a situação era precária. Só em 8 anos (1917-1925) houve 200 greves. O custo de vida atingiu os 200%. a guerra criou novas fortunas. O mundo dos negócios e da finança necessitava de regras claras e de estabilidade. A moeda desvalorizou-se, não havia investimento na indústria. Portugal não passava de um satélite da economia inglesa.
O país asfixiava. queria ordem na rua e na administração. O descontentamente atingiu todos os sectores."
José Hermano Saraiva

Para mais informação clica AQUI

terça-feira, 19 de maio de 2009

Uma Portuguesa no Trono de Inglaterra

Foi no dia 21 de Maio de 1662 que a Infanta Portuguesa, D. Catarina de Bragança, filha do Rei D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, casou com o rei inglês, Carlos II.
Foram morosas e difíceis as negociações que conduziram a esta aliança e o dote da princesa foi magnífico: a cidade de Tânger, no Norte de África, Bombaim com a sua fortaleza, na Índia, a liberdade de comércio para os navios ingleses em todos os portos do Brasil e dois milhões de cruzados.
Esta princesa introduziu novos hábitos na sua nova corte, sendo o mais conhecido, o chá das cinco ou "Five o'clock tea".
Segue-se o relato feito por ocasião do casamento:

"Londres, 21 de Maio de 1662
As aclamações e os festejos em honra da nova rainha são deslumbrantes. O casamento realizou-se em Portsmouth e dele foi lavrado o seguinte assento:
«Na presença de grande parte da nobreza dos domínios de Sua Majestade de Portugal em Maio de 1662 foram casados em Portsmouth (Igreja Domus Dei) pelo Bispo Lord de Londres, Golbert, a Ilustríssima Princesa D. Catarina, Infanta de Portugal, com o Augusto soberano Lord Carlos Ii Rei da Grã-Bertanha, França e Irlanda, Defensor da Fé»
Os reis vão morar no palácio de Whitehall.
As festas em Lisboa, por ocasião do embarque, não foram menos deslumbrantes. Ficaram memoráveis o cortejo de grande gala que acompanhou a infanta e as touradas que se realizaram no Terreiro do Paço.
Houve três dias de corridas de touros e ergueram-se dez arcos triunfais que se armaram com colchas, sedas, telas e outros ornatos de preço. O arco dos prateiros, à entrada da sua rua, era coberto de prata. Os outros tinham pinturas e ornatos de ouro e prata, todos muito ricos"

in Diário da História de Portugal, Selecções do Reader's Digest


Para mais informação aconselhamos a leitura do livro "Catarina de Bragança" de Isabel Stilwell ou então clique Aqui